Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito (DAVD)

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A Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito (DAVD) é um problema cardíaco raro mas potencialmente fatal e costuma atingir grupos de pessoas que geralmente não são associados com doenças no coração: os jovens e os atletas, mesmo os que nunca apresentaram problemas cardíacos. Nessas pessoas, a primeira manifestação da doença pode ser a morte súbita.

Os estudos realizados até agora mostram que a Displasia é hereditária.  Um estudo realizado por um grupo de cientistas italianos observou que 12 pessoas, em um grupo de 60 pacientes com menos de 35 anos e que tiveram morte súbita, tinham características que apontavam para a Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito.

Como a doença acontece?

As células do coração funcionam de forma interligada umas com as outras. O que a displasia arritmogênica do ventrículo direito provoca é justamente um defeito nessas conexões o que pode provocar a morte das células cardíacas. Posteriormente, no lugar das células saudáveis mortas, formam-se cicatrizes fibrosas e camadas de gordura.

A doença acontece com maior frequência no lado direito do coração (ventrículo direito). Nos casos mais graves, pode acometer também o lado esquerdo. Na maioria das vezes, a doença começa da parte de fora do coração (epicárdio) para dentro.

O grande problema da Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito é que essas novas áreas formadas pela cicatriz das células mortas  e o tecido gorduroso possuem comportamento elétrico diferente das células antigas. A eletricidade que faz o coração bater passa por essas novas estruturas com velocidade e forma diferentes do normal. Esse fato pode provocar arritmias graves e morte súbita.

A gravidade da doença

A arritmia mais grave dos pacientes com Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito é a taquicardia ventricular. Os ventrículos, por sua vez, são os compartimentos de onde o coração efetivamente bombeia o sangue para o nosso organismo. E por isso a doença é tão perigosa.

Uma outra característica fundamental da Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito é que ela é uma doença evolutiva.  Isso significa que se agrava e, mesmo com o tratamento, pode reaparecer com o tempo. Já as pessoas que não conseguem sentir os sintomas, e que não tratam o problema, podem criar tantas camadas de fibra e gordura no coração que ele enfraquece e dilata, provocando insuficiência cardíaca.

Os sintomas da displasia

O sintoma mais comum da Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito é a palpitação, mas com uma característica diferente. Ela está geralmente associada à prática de atividades físicas intensas. Muitos atletas que estimulam o coração de forma severa têm morte súbita provocada por essa doença. São comuns também relatos de atletas que, a partir de um momento, sentem o coração bater mais rápido do que deveria.

Em pessoas com DAVD, o coração pode alcançar um ritmo tão acelerado que não consegue mais encher de sangue adequadamente. Essa condição provoca prejuízos graves à circulação sanguínea e ao fornecimento de oxigênio para as células. Falta de ar, fraqueza e até perda da consciência podem ser observados.

A atividade física intensa acelera a evolução da doença e aumenta o risco de ocorrência de uma arritmia fatal. O indivíduo que é atleta e tem Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito precisa parar suas atividades esportivas. Nas pessoas sedentárias, a velocidade de evolução do problema, em geral, é menor.  

Tratamento da Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito

Os tratamentos com drogas antiarrítmicas são muito receitados para pacientes com Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito. Em especial, aqueles à base de Amiodarona e, mais recentemente, o Sotalol. Porém, como a incidência da DAVD em pacientes jovens costuma ser proporcionalmente grande, é preciso ficar atento à exposição destes indivíduos aos efeitos colaterais dos medicamentos por muito tempo. O Sotalol, por exemplo, ao contrário do que se espera, pode acabar provocando ainda mais arritmia em algumas pessoas. A Amiodarona, por sua vez, pode provocar problemas na tireoide e infiltração no pulmão, levando a uma fibrose extensa.

Já o tratamento por Ablação (cauterização) costuma ter bons resultados, mas deve ser utilizado de forma coadjuvante. Nesses casos, o procedimento de Ablação é diferente. Ele precisa ser feito na parte externa do coração, por fora, que é de onde os focos de arritmia começam. Por isso, o procedimento é feito através de uma punção no peito (um acesso transtorácico), em vez das punções na virilha, pelas veias femorais.

Trata-se de uma técnica mais complexa, mas ainda assim segura. O pós-operatório também é um pouco mais demorado que o da ablação convencional. O paciente costuma ficar até três dias em observação e volta à vida normal, em média, de três a quatro semanas após o tratamento.  

Para garantir a segurança, mesmo após a Ablação, os pacientes com Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito precisam implantar um CDI, um Cardioversor Desfibrilador Implantável, para prevenir morte súbita caso a arritmia tenha recorrência.

Se você já sentiu alguma palpitação ou desconforto no peito, procure o médico cardiologista. Quanto mais cedo uma doença é tratada, maiores as chances de voltar a ter uma vida normal.   

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